Representante da CRES denuncia transformação do ensino em mercadoria

Publicado el 07 DE NOVIEMBRE, 2017

A convite do SINDIEDUTEC-Sindicato e do PROIFES-Federação o ex-Reitor da Universidade de Córdoba, Francisco Tamarit, deu uma palestra, ocorrida na tarde da última quarta, 1º, sobre sua atual ocupação: a III Conferência Regional de Educação Superior da América Latina e Caribe, CRES - 2018, com foco no sistema educativo latino e que definirá as políticas públicas de educação para a próxima década. A Conferência é uma iniciativa da UNESCO.


"Faço um convite para pensarmos o ensino como um direito em um continente em que não temos direito ao ensino", disse, ao retraçar o percurso histórico da colonização latino-americana: "onde os espanhóis criaram universidades, 200 anos depois, foram os lugares que se tornaram países independentes. Não é coincidência". O acesso à educação de qualidade pelo maior número de pessoas possível não pode ser pensada como um privilégio, mas sim como uma questão de soberania nacional.

Tamarit denunciou a franca campanha da Organização Mundial do Comércio ao longo dos últimos anos para forçar que a educação se transforme em uma commoditie, ou seja, em um bem regulado pelo mercado. "Durante séculos o que cada país fazia com sua educação superior era um problema do país. Nos últimos 40 anos, o Mercado começou a olhar para a educação", disse. Isso criaria brecha para que a comunidade internacional pudesse pressionar países que oferecem ensino público como se isso fosse uma espécie de concorrência desleal, aumentando mais ainda as dificuldades para que as camadas prejudicadas economicamente possam progredir através dos estudos.

A mesa foi composta por Adércia Bezerra Hostin, coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da CONTEE; Amarildo Pinheiro Magalhães, Pró-Reitor de Ensino do IFPR, representando o Reitor Odacir Antonio Zanatta; Eduardo Rolim, presidente do PROIFES-Federação; Otávio Bezerra Sampaio, Presidente do SINDIEDUTEC; e Adriano Willian da Silva, Diretor-Geral do Campus Curitiba.

"Nós não aceitamos que a educação seja uma mercadoria negociada pela OMC, uma commoditie. Por isso é preciso unir forças, sindicatos e Institutos", disse Eduardo, reforçando a necessidade de se reunir Sindicatos e Instituições públicas na mesma luta. Adriano reforçou a "necessidade de lutar contra os retrocessos que ameaçam o futuro de nossa juventude". Já Amarildo disse que "estão fazendo um trabalho de defesa do ensino público, especialmente na Pró-Reitoria de Ensino, que representa a função-fim do IFPR".

Adércia mostrou preocupação com o projeto privatizante, dizendo que "precisamos desmitificar a questão da qualidade do ensino público já apresentando o fato de que as vagas das universidades públicas são disputadas pela elite, tanto pela questão do período integral, quanto pelo vestibular, que é excludente". Ela também reforçou que o ensino particular só se torna de qualidade quando o público é de qualidade, forçando as empresas a terem melhores condições de trabalho.

O evento foi aberto à comunidade e diversas entidades e movimentos convidados compareceram, tais como: Flávio Alves da Silva (UFG e PROIFES); Luciene da Cruz Fernandes (APUB e PROIFES); Paulo Mors (ADURGS e PROIFES) e Gil Vicente Reis de Figueiredo (PROIFES e ADUFSCAR); Movimento é tempo de diálogo, representado pelo psicólogo Pedro Braga Carneiro. Além de, claro, a comunidade escolar do IFPR e diretores do SINDIEDUTEC-Sindicato.

Reunião com o Reitor

Na tarde da mesma quarta, por intermédio do SINDIEDUTEC, Tamarit, junto com membros da diretoria do PROIFES, participaram de uma reunião com Odacir Antonio Zanatta, o Reitor do IFPR. Zanatta se comprometeu a levar a defesa da educação pública para o CONIF, Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, buscando o diálogo com os demais Reitores dos Institutos Federais. Assim como, divulgar a CRES/2018 e estimular a participação de técnicos(as) e docentes do IFPR no evento.